Conversa com Luís Mestre , dia 11 cace cultural, 23horas

Dezembro 11, 2009 por projectoapalavrado

Caros visitantes

lembramos que hoje após o espectáculo a equipa e o autor estarão disponiveís para uma conversa com o público . para aguçar a curiosidade , um pequeno excerto:

um dia fiz um rabisco por cada vez que o objecto tocava

foram centenas

211

8 horas de trabalho

480 minutos

dividindo por 211

dá 2 virgula 27

oiço aquele barulho a cada 2 minutos e 16 segundos

e a voz parecia sempre a mesma

como se estivesse a ter

um longo monólogo com a mesma pessoa

o dia inteiro

com as interrupções

entre cada toque

barulho

Apalavrado 2- estreia dia 10 no cace cultural

Dezembro 3, 2009 por projectoapalavrado

Apalavrado 1 – ensaios na Quinta da Caverneira

Dezembro 1, 2009 por projectoapalavrado

Há alguns anos que o amor pelas tábuas do palco foi  (não) negado, mas relegado para segundo plano; por esse amor maior que é a encenação , arquitectura do mundo.

Para um encenador-actor é inevitável sonhar com um alter-ego que o substitua de forma elogiosa e fidedigna.

em 2009 e durante algum tempo , Susana Madeira era o retrato dessa actriz que almejava encontrar.

Mas como tudo muda a uma velocidade estonteante, a actriz , que esteve na matriz do projecto, não faz mais parte do mesmo, sendo substituída em futuras apresentações.

para recordar, ficam alguns registos .

Fotos de José Nogueira ( todos os direitos reservados)

 

Memórias- Apalavrado nas lojas Fnac

Novembro 3, 2009 por projectoapalavrado

 

Apalavrado na Fnac - Norte Shopping

Susana Madeira em " Resumo", de Virginia Woolf

José topa , O Homem Que Embala o Carrinho de Bebé , de Carlos J. Pessoa

Resumo, no Mar Shopping

apalavrado no teatrinho do mar shopping

Fotos de Patrícia Vaz ( direitos reservados)

 

 

A cadeia de lojas Fnac , nossa parceira no projecto Apalavrado serviu de laboratório para a estreia do Apalavrado 1 .

Quatro lojas , distintas nos espaços e nos públicos permitiram durante o fim-de-semana de 24, 25 e 26 de Outubro apresentarmos, conversarmos e questionarmos o nosso trabalho .

Em cima , algumas lembranças desses momentos.

A summing up

Outubro 30, 2009 por projectoapalavrado

Era na noite que ela estava a pensar, talvez arrastando-se a si própria, enquanto o olhar se erguia em direcção ao céu. Fora o cheiro do campo que sentira de repente, agora, a quietude sombria dos campos debaixo das estrelas, mas aqui, no jardim recuado de Mrs. Dalloway, em Westminster, o que nessa impressão de beleza mais surpreendia alguém, nascida e criada no campo como ela, era presumivelmente um efeito de contraste; aqui um cheiro de feno no ar e ali as salas cheias de gente.

Andou um pouco com Bertram; caminhava como um veado, com leves movimentos de tornozelos, segura, grande e silenciosa, com os sentidos despertos, os ouvidos atentos, farejando o ar da noite, como se fosse um animal selvagem, mas cheio de um equilíbrio próprio, extraindo daquelas horas tardias um prazer intenso.

Era essa, pensou ela, a maior das maravilhas; a realização máxima da espécie humana. Onde quer que houvesse um abrigo entre os salgueiros e barcos de madeira leve numa região de lagoas, lá estava essa maravilha; e pôs-se a pensar na casa sólida, abrigada, bem construída, cheia de objectos preciosos, a formigar de gente apertada, de pessoas que se separavam umas das outras, trocando pontos de vista, num contágio excitado.

E Clarissa Dalloway abrira a sala para os ermos da noite, pusera pedras que permitiam a passagem por cima dos pântanos, e, quando os dois chegaram ao extremo do jardim (que era, de facto, muitíssimo pequeno), sentando-se depois ela e Bertram em cadeiras de lona, olhou para a casa cheia de veneração, entusiasticamente, como se um raio luminoso e doirado lhe atravessasse o olhar, enchendo-o de lágrimas e fazendo-a sentir-se profundamente agradecida.

Embora fosse tímida e quase incapaz, quando apresentada inesperadamente a alguém, de dizer fosse o que fosse, tinha uma admiração imensa pelos outros. Ser o que eles eram seria maravilhoso, mas ela estava condenada a ser apenas ela própria e só podia, à sua maneira silenciosa de entusiasmo, sentar-se cá fora num jardim, aplaudindo essa sociedade humana de que se encontrava excluída. Pedaços de poesia subiam numa prece de louvor dos seus lábios; eram realmente adoráveis e bons os sobreviventes, e sobretudo corajosos, vencendo a noite e os pântanos, uma companhia de aventureiros que, arrostando os perigos, continuava a sua viagem.

excerto de A Suming Up ou Resumo , Virginia Woolf

Outubro 30, 2009 por projectoapalavrado

Portugal é assim como um brinquedo, coisa que distrai e faz rir e chorar, um brinquedo que chega tarde e que demora a funcionar. Para mim é tarde Portugal, é tarde esperar de ti mais que inveja e despeito, bota a baixo e oportunismo; é tarde Portugal para ser tarde e a noite te dar alguma inspiração. Desembarcam milhões enquanto aguardo que adormeças. E se Portugal desaparecesse nessa fúria de desembarcar, se a gente toda se fundisse num jeito aflito de amar? Amar sem pátria, amar sem nome, ir mais além, dizer numa língua de bebé: fica bem, fica bem, fica bem!

Dizem que cometi um atentado ao património: que grafitei os Jerónimos, que inquiri a Inquisição, que misturei fascismo e comunismo como quem bebe um panaché, que fiquei assim olé, olé (!) sem tourada, sem fado, nem futebol, meio ao léu, ali para o Meco, sem piriléu (!) imaginem, sem vergonha, sem estilo nem clique, nem pobre, nem chique. Dizemque cometi um atentado ao património e foi um pandemónio de flashes e atenção! Fiquei confuso, joguei difuso, mergulhei obtuso e afinal era só areia, só lençol e mesa-de-cabeceira. Tenho um galo aqui para o provar (aponta testa)! Cocorocó todas as manhãs! Suavemente piso o chão: não me digas não, não me digas não!

Cobre o meu corpo, enfim, desse agasalho, meu bebe grisalho que me ouves e te espantas. Suavemente vê-me, de perfil e de frente, numa avaliação criminal põe-me algemas por este crime, por esta espécie de embirração com a facilidade e a tradição. Faz-me o mar com um til e deixa-me mergulhar nesse colo de ondas, atrai-me a essa luz que é o teu rosto que se ilumina sem tosse, nem vacina. Deixa-me ficar a teu lado enquanto me puxas os cabelos com mãozinhas de veludo. És doce e peitudo, Phelpsde encomenda, herói sem emenda, neste veio que sangra. Manga, manga (!), à sobremesa. Deixa-me ser vassalo a teu lado.

Se Deus se esqueceu de nós que não se esqueça de ti, se Deus nos abandonou que não te abandone, se Deus não tem piedade que a tenha de ti, se Deus não existe, existe tu por ele para que nada de mal te aconteça.

excerto de O Homem Que Embala O Carrinho de Bebé , de Carlos J. Pessoa

Apalavrado 1 apresenta um conto inédito de Carlos J. Pessoa ” O Homem Que Embala O Carrinho de Bebé” e ” Resumo” de Virginia Woolf, dois monólogos; nos dias 29,30e 31 na Quinta da Caverneira e na Fábrica da Rua da Alegria de 05 a 08 de Novembro , pelas 21.30h.

bilhetes: 5 euros ( preço único)

reservas :936737059

Outubro 21, 2009 por projectoapalavrado

Apalavrado 1-  Estreia

Lavrar a terra com palavras ou apalavrar por aí

Outubro 18, 2009 por projectoapalavrado

E Deus disse: Faça-se luz.

E assim se cumpriu.

Gênesis

O princípio foi sempre o verbo , motor de toda a criação.

Do amor comum pela palavra , um conjunto de amigos /actores ; decidiram criar um grupo informal , durante o espaço de nove meses ,

com espectáculos à volta do conto.

Algumas premissas para ajudar a entender : interligar clássicos e contemporâneos ( o tempo , é uma medida inventada pelo homem e das múltiplas questões que assolam a legitimidade da criação parece-nos que a obrigatoriedade da contemporaneidade – ou a negação dela- é a mais perniciosa de todas ) , congregar menbros fixos com convidados ( músicos e actores) permitindo o crescimento de um corpo de trabalho comum e a troca de ideias , a composição musical como pedra de toque de alguns dos contos .

O projecto , pensado para adaptar-se a teatros e espaços não convencionais , tem neste momento quatro autores confirmados para estrear até Maio de 2010

: Carlos J. Pessoa, Luís Mestre, Pedro Eiras e Luis Maffei.

este blog servirá para aguçarmos a vossa curiosidade .

esperamos encontrar-vos , numa sala , um dia destes!